Gravidez na Adolescência: Muitas Causas, Muitos Riscos.

Como a gravidez precoce interfere na vida de uma adolescente?

Engravidar na adolescência não é, na maioria das vezes, uma atitude planejada, mas uma situação inesperada e indesejada. Muitas são as causas, e maiores são os riscos e consequências de gerar um filho nesse período de vida. Período esse marcado por muitas transformações tanto físicas como psicológicas.

De acordo com uma pesquisa do Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (sinasc), em 2015, 15% dos bebês nascidos eram de mães adolescentes, a maior parte delas do Nordeste brasileiro.

Além disso, o Ministério da Saúde afirma que 66% dos casos de gravidez na adolescência são indesejados. As pesquisas não mentem: a gravidez na adolescência é um grave problema no Brasil.

Causas

Dentre as principais causas da gravidez nesse período está a falta de diálogo. Infelizmente, em muitas famílias, os pais não se sentem confortáveis em falar com os filhos sobre sexualidade. Isso acaba gerando um tabu ao redor do tema. Pais e mães acabam não falando com as filhas da importância de se iniciar sexualmente apenas no momento em que se sentirem preparadas e confortáveis com a ideia.

E é justamente nesse ponto que entra a segunda causa: a falta de informação. Se não há diálogo, não há informação. Não há como falar sobre iniciação sexual sem falar sobre os métodos contraceptivos, como a camisinha, anticoncepcional, etc. Usar um método contraceptivo ao realizar um ato sexual é importante não só para evitar a gravidez, mas também para não contrair qualquer DST – doença sexualmente transmitida, como o HIV, por exemplo.

Juntar a falta de diálogo sobre sexo e a falta de informação sobre os métodos contraceptivos com as mudanças que se passam na mente e no corpo de uma adolescente é uma combinação explosiva e perigosa.

A adolescência é marcada por mudanças radicais no físico por conta do aumento dos hormônios e também no psicológico, com a aquisição de novas ideias e com a mudança em alguns aspectos da personalidade.  Além disso, é claro, nesse período já é possível gerar um filho.

Por ser um momento de transformações, é importante que os familiares estejam ao lado dando suporte e instruindo sobre as consequências da gravidez nessa idade.

A família é essencial para ajudar na prevenção da gravidez precoce, mas caso mesmo assim aconteça, os familiares são importantes na hora de dar suporte à mãe e ao filho.

Responsabilidades e riscos

Gerar um filho é ganhar muitas responsabilidades. Se já é difícil para um adulto, imagina para uma jovem que provavelmente estuda, faz vestibular e trabalha. É como se, de uma hora para outra, o mundo virasse de cabeça para baixo. Boa parte do tempo que era dedicado aos estudos, vai precisar ser direcionado ao bebê, e assim, pouco tempo sobra para a própria jovem.

Além disso, a gravidez nesse período pode gerar conflitos internos e externos. Crises familiares e de identidade podem ocorrer, pois a adolescente ainda não está amadurecida emocionalmente para lidar com uma responsabilidade tão grande como essa.

Criar um filho e ao mesmo tempo estudar, fazer vestibular ou até mesmo trabalhar não é fácil e requer muita responsabilidade. Ao engravidar neste período, muito da juventude se perde, pois agora há uma vida a ser cuidada.

Como consequência disso, muitas gestantes nessa idade recorrem ao aborto ou abandonam a criança como solução para este conflito. Largar os estudos é outra atitude que muitas jovens tomam, deixando para trás o sonho de uma carreira profissional.

Na maioria das vezes, a gravidez na adolescência pode ser constatada como um problema social. Principalmente quando nos referimos a gestantes brasileiras. No Brasil, não há controle de natalidade e a prática do planejamento familiar não é levada em conta na maioria dos lares. Isso resulta, muitas vezes, em mães adolescentes sem estrutura familiar, sem renda, pois largaram os estudos.

Além disso, muitas vezes não têm a companhia do futuro pai, que também não tem maturidade para lidar com essa responsabilidade. Infelizmente, essa é a realidade de muitas jovens brasileiras.

A família como porto seguro

Para que todos esses grandes problemas sejam amenizados, mais uma vez, é importante que a família esteja ao lado da futura mãe, incentivando e direcionando para que ela continue com seus planos profissionais e possa construir uma boa estrutura familiar. A família também deve incentivar a mãe a realizar todos os cuidados durante a gestação, inclusive realizar todos os exames pré-natal para que, ao final, tanto a mãe quanto o bebê sejam saudáveis e não haja complicações durante o parto.

Realmente, ter um filho nessa idade traz muitos conflitos e crises que geram atitudes não muito bem pensadas. A realidade é que ter um filho não é uma tarefa fácil em nenhuma idade, pois requer muita dedicação e responsabilidade. Porém, quando isso ocorre no período da adolescência, a complexidade é multiplicada.

Campanhas de prevenção

Felizmente, campanhas educativas são cada vez mais frequentes em escolas por todo o Brasil. Conscientizar é a melhor forma de prevenir a gravidez precoce. Segundo a OMS – organização Mundial da Saúde, 22% dos adolescentes se iniciam sexualmente aos 15 anos de idade, período em que passam boa parte de suas vidas na escola. Por isso, as realizações dessas campanhas são tão importantes, pois desde cedo, já são instruídos sobre a dificuldade que uma adolescente passa ao engravidar.

Um tabu que precisa ser quebrado

Gravidez precoce ainda é um tema delicado de se abordar na sociedade, uma espécie de tabu. Não deveria ser assim, pois há muitas jovens sem instrução e que, infelizmente, vão acabar engravidando muito cedo; e há outras jovens já grávidas que pensam que estão no final da linha de suas vidas por estarem grávidas e não sabem como proceder.

Exatamente por isso é importante falar sobre o assunto. Sem instrução, as jovens estão desarmadas, vulneráveis. Mas não é só isso. O apoio e compreensão da família são muito essenciais. É complexo, é sensível, é difícil; mas é a realidade de muitas jovens, não só no Brasil, mas em todo o mundo. O mais indicado é prevenir, mas caso não dê, podemos ajudar apoiando e instruindo, afinal é uma vida gerando outra vida.